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Rede global da América
Latina deve ser implantada em 2003
A
América Latina deverá ganhar, até julho
de 2003, uma rede global de alta capacidade interligando as
redes nacionais de informação via Internet da
região. A implantação da estrutura foi
discutida por representantes de 13 países durante a
segunda reunião da Cooperação Latino-Americana
de Redes Avançadas – Clara, realizada no Rio
de Janeiro, dia 25 de setembro de 2002. A Rede Rio de Computadores
(Rede Rio) foi convidada para acompanhar as reuniões.
Além
de representar redes nacionais de ensino e pesquisa da América
Latina, a Clara tem por objetivo criar um backbone regional.
O grupo será integrado por redes da Argentina; Brasil;
Bolívia; Chile; Cuba; El Salvador; Equador; México;
Panamá; Paraguai; Peru; Uruguai e Venezuela.
A reunião da Clara no Rio de Janeiro foi organizada
pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e pelo Programa
Sociedade da Informação (SocInfo), do Ministério
da Ciência e Tecnologia. “A Clara surgiu da necessidade
de as redes nacionais dos países da região se
articularem e desenvolverem projetos em conjunto”, explicou
o Diretor-Geral da RNP, Nelson Simões.
Além da integração das redes da América
Latina, outro objetivo da Clara é interligar o futuro
backbone regional às redes continentais da Europa,
América do Norte e Ásia-Pacífico. Atualmente,
a Cooperação está discutindo a interligação
com o Geant, backbone pan-europeu, que faz parte do programa
Alliance for the Information Society (@LIS), da União
Européia.
De
acordo com Nelson Simões, a criação da
rede global tem grande chance de se concretizar graças
ao apoio da União Européia. Por intermédio
do programa @LIS foi aberta uma linha de financiamento no
valor total de 10 milhões de Euros. A decisão
de apoiar a implantação de uma rede latino-americana
de pesquisa foi tomada pelos países membros da União
Européia, durante reunião realizada na Espanha,
em junho de 2002, quando foi assinado documento chamado “Declaração
de Toledo”.
A
união de esforços para a formação
da Clara já apresenta resultados. Inicialmente, o programa
@LIS previa uma contrapartida por parte das redes nacionais
da América Latina da ordem de 50%. Entretanto, os representantes
da Clara conseguiram reduzir o percentual para 20% do total
a ser investido para a implantação da estrutura.
“A maior dificuldade, agora, é os países
da região obterem recursos para a contra partida”,
afirma o Diretor-Geral da RNP. Segundo Nelson Simões,
já foi aberto o diálogo com agentes de financiamento,
como o Banco Inter-americano de Desenvolvimento (BID).
A
constituição de uma rede latino-americana é
tida pelos integrantes da Clara como uma alternativa para
reduzir custos. A proposta do grupo é que a nova
estrutura seja paga, de forma proporcional, a partir de um
mesmo valor por megabit contratado. Desta forma, os países
que optarem por links com menos banda pagariam menos do que
aqueles que contratassem linhas com capacidade maior.
Nos
dias 18 e 19 de novembro de 2002, os representantes das redes
acadêmicas da América Latina voltaram a se reunir
para discutir a implantação de uma rede avançada
entre os países da região e interconectá-la
à sua equivalente européia, a GEANT. O encontro
foi realizado na Comissão Nacional de Pesquisa Científica
e Tecnológica (Conicyt), em Santiago do Chile.
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