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Coordenador
Técnico-Científico
da Rede fala sobre o novo Canal Internacional
Após a entrada em operação do novo canal internacional da
Rede Rio de Computadores (RR), o coordenador Técnico-Científico
da Rede e Professor do Programa de Engenharia de Sistemas
e Computação da COPPE/UFRJ, Professor Luis Felipe Magalhães
de Moraes, faz uma avaliação positiva do serviço, cuja velocidade
de acesso passou de 10 Mbps ( milhões de bits por segundo)
para 26 Mbps.
RR - Quando o novo canal
entrou em operação ?
LF
- O novo canal entrou em operação na segunda
semana de fevereiro de 2001 e está conseguindo agilizar a
conexão dos usuários da Rede Rio com sites do exterior, que
nos últimos meses mantinha-se lenta devido à crescente demanda
e pouca largura de Banda.
RR
- Quais as primeiras medidas tomadas após a instalação
do canal ?
LF
- Durante as primeiras semanas foram tomadas
algumas medidas para agilizar a utilização do novo canal,
contratado à IMPSAT, empresa vencedora da licitação pública
para a aquisição do canal internacional. Existem ações que
têm sido tomadas para aliviar a alta carga de utilização do
canal.
RR - Que tipo de ações
?
LF
- Uma delas está sendo através da correção
do balanceamento do tráfego, por intermédio de um acordo com
a RNP (Rede Nacional de Pesquisas). Pelo acordo, parte do
tráfego internacional da Rede Rio 2 tem seguido pela RNP.
Em troca, a RNP roteia parte do seu tráfego nacional por este
canal. Trata-se de uma colaboração envolvendo troca de tráfego
entre essas duas redes acadêmicas.
RR - Já é possível comparar
o desempenho da RR antes e depois da utilização do novo canal
?
LF
- A melhora do desempenho com o novo canal
é incomparável. Certamente, o maior benefício do advento do
novo canal é o tempo de resposta. Não há nem como comparar,
porque antes alguns usuários até desistiam de esperar concluir
o acesso aos sites no exterior.
RR - O contrato prevê
um possível aumento gradual da velocidade do canal. Qual a
previsão para tal ?
LF
- Apesar de o novo canal internacional estar
proporcionando uma conexão muito mais rápida, a Coordenação
Técnica da Rede Rio 2 pretende ampliar ainda mais a sua velocidade
de transmissão. Inicialmente, a idéia é fazer um upgrade,
passando para 34 Mbps nos próximos meses. Em médio prazo,
a velocidade poderá chegar a 155 Mbps. Essa é uma meta que
devemos perseguir, pois isso é necessário para atender com
a devida qualidade à demanda científica, a qual, em muitos
casos, depende muito da Rede Rio para as pesquisas que são
realizadas.
RR - O que é necessário
para que isto aconteça ?
LF-
Para modernizar o sistema é necessário um volume
maior de recursos. É preciso que os diversos níveis de Governo,
o estadual, por intermédio da FAPERJ, e o federal, através
do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), tenham uma participação
maior no projeto e no processo modernização da Rede Rio. Atualmente,
a Rede Rio 2 é, ao lado de São Paulo, a única rede com canal
internacional pago pela fundação de amparo à pesquisa do estado.
Qualquer outra rede acadêmica estadual, similar à Rede Rio,
depende fundamentalmente da RNP para ter o seu tráfego
roteado para fora do país. A Rede Rio, neste contexto, tem
autonomia. Se não existisse o canal próprio o seu tráfego,
assim como das demais redes acadêmicas regionais, dependeria
da RNP para ser roteado para fora. Mas a RNP, no caso da Rede
Rio colabora e também recebe uma contrapartida, como já explicado.
A
FAPERJ desempenhou um papel muito importante ao apostar no
futuro, contratando um canal internacional dedicado para a
Rede Rio. Ou seja, nosso dever de casa, no caso o do Estado
do Rio de Janeiro, está sendo feito e com louvor. O Ministério
da Ciência e Tecnologia deveria dar um tratamento mais adequado
a essa questão. Deveria haver um maior aporte de recursos
federais, pois conforme já foi dito o canal internacional
da Rede Rio, através da troca de tráfego que faz com a RNP,
acaba também, de alguma forma, beneficiando as outras redes
acadêmicas.
RR - E os recursos viriam
de onde, quando constatamos as dificuldades de diversos setores
da economia para consegui-los ?
LF
- Hoje o governo federal tem diversos instrumentos
legais que foram criados exatamente com esta finalidade. Pôr
exemplo, através do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços
de Telecomunicações), parte dos recursos poderiam ser alocados
para estas finalidades. O MCT deverá se valer disso para dar
apoio a vários projetos de tecnologia da informação, no âmbito
do Programa da Sociedade da Informação, do Governo Federal.
Acho que a FAPERJ poderia ter um convênio com o MCT que permitisse
um certo aporte para apoiar as iniciativas da Rede Rio. Afinal,
a FAPERJ já está dando a sua contrapartida.
RR - Qual foi o ônus
para o Estado do Rio de Janeiro assumir este avanço da RR
?
LF
- Vale destacar que, além de ampliar a velocidade
de conexão, com a licitação para o canal internacional de
26 Mbps, a Rede Rio 2 conseguiu reduzir, em aproximadamente
11,45%, os gastos com o serviço, que passaram de R$ 170 mil
para R$ 155 mil mensais.
RR - Qual tem sido a
trajetória da Rede Rio ?
LF
- Criada em 1992 para ser uma rede metropolitana
para atender instituições de pesquisa, universitárias e de
governo, a Rede inicial deu origem à Rede Rio 2, em abril
de 1999. Financiada pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo
à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), a Rede Rio
2 atende diretamente a 90 instituições e indiretamente a outras
92, conectadas através do PRODERJ. Atualmente, já são mais
de 250 mil usuários, entre pesquisadores e funcionários de
centros de pesquisa, universidades e órgãos públicos.
RR - Para onde aponta
o futuro da Rede Rio de Computadores ?
LF
- As perspectivas de futuro da Rede Rio 2,
entretanto, não se resumem à instalação de um canal internacional
dedicado, mais rápido. Atualmente, uma série de projetos para
a modernização da rede está em desenvolvimento, como o Servidor
de Vídeo sobre Demanda (VoD), cujo objetivo é, também, colocar
à disposição filmes científicos para os usuários. Outra novidade
será o medidor de tráfego por aplicação, que irá verificar
o percentual de utilização de acessos à Web e o percentual
de utilização de outras diversas aplicações, classificadas
pelos seus respectivos perfis. Todos esses trabalhos são resultados
de pesquisas e teses de mestrado e doutorado. A prestação
de serviços da Rede caminha lado a lado com as atividades
acadêmicas dos alunos, pesquisadores e professores associados
ao Laboratório de Redes de Alta Velocidade (Ravel) da COPPE/UFRJ.
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